
O livro “Na língua da maré” de Abel Coentrão e Helder Luís foi apresentado na Centro Cultural de Ílhavo/Fábrica das Ideias. No mesmo dia estreou o espetáculo Maré, com o Coro comunitário de Ílhavo.
Esqueça, por momentos, a monotonia dos búzios.
Abel Coentrão
Por esta costa fora, homens e mulheres que ousaram enfunar o peito e deixar para trás a praia da infância são, acredite, melhor refúgio para um mar que não fala, mas que se espraia, múltiplo, nas vozes dos que lhe sobrevivem.
Palavras de quem, de terra, as escuta e as guarda, num labor de salgador de memórias!
Aproxime o ouvido. No mundo, não há apenas três, mas quatro tipos de seres humanos: os vivos, os mortos, os que vivem no mar e os que aguardam, na inquietude das aves, sinais do seu regresso, para os procurar na língua da maré.

Na “Língua da Maré, Crónicas de mar e mareantes“, foi uma obra de grande fôlego, produzida durante o ano de 2022, para assinalar os oitenta anos da Mútua dos Pescadores, da autoria de Abel Coentrão, jornalista e Helder Luís, fotógrafo e designer.
Foi apresentada pela primeira vez na Sessão de Encerramento das comemorações do 80.º Aniversário, na Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa, e certamente contribuirá para uma melhor compreensão do peso simbólico, económico, social e político do sector marítimo em Portugal, e que, através dele, se valorizem também as vidas das pessoas e das comunidades que são, desde o primeiro dia, a razão de ser desta cooperativa de utentes de seguros fundada em 1942.
O livro seguirá o seu caminho próprio, mas a Mútua pretende apresentar o livro um pouco por todo o país, ao longo do litoral.
Algumas destas sessões serão integradas em iniciativas mais amplas, que contarão com o espetáculo “Maré”, criado pela cooperativa cultural Sons Vadios para assinalar os 80 anos da Mútua, estreado na sessão de encerramento, em novembro. Também o Coro Mútua participará nalguns momentos.