A exposição Sardinha, do fotógrafo documental Helder Luís, está patente no Museu do Mar Rei D. Carlos, em Cascais, entre 28 de junho e 31 de agosto de 2026, apresentando ao público um extenso trabalho dedicado à pesca da sardinha e ao universo da pesca do cerco em Portugal.
Resultado de um projeto de fotografia documental desenvolvido entre 2018 e 2022, a exposição mergulha no universo da pesca do cerco — uma epopeia quotidiana, quase invisível, que sustenta comunidades costeiras ao longo de todo o país. O trabalho deu origem também ao livro Sardinha, publicado em 2023, e foi iniciado no contexto da residência artística MARPVZ19/20, dedicada à cultura marítima e apoiada pelo Município da Póvoa de Varzim.
Ao longo de quatro anos, Helder Luís acompanhou dezenas de viagens em barcos da Póvoa de Varzim, das Caxinas e de Vila do Conde, observando e fotografando a vida a bordo, os gestos da faina e a força dos elementos. O projeto reúne fotografias, textos, infografias e desenhos técnicos, revelando tanto a dimensão coletiva da pesca como a experiência individual dos homens que diariamente enfrentam o mar.
“Não se pode compreender a pesca da sardinha sem conhecer os pescadores que perseguem o peixe e o pescam num mar infindável ao longo da costa. Documentar esta arte é também dar rosto às suas vidas, à incerteza e à coragem que carregam”, afirma o autor.
Mais do que registo, a exposição propõe uma reflexão sobre a continuidade desta atividade, sempre marcada pelo equilíbrio precário entre a abundância da sardinha e a sobrevivência das comunidades piscatórias.





